Junta de Freguesia de Santa Clara

Comunicação da Presidente na Reunião da Assembleia Descentralizada da Câmara, em Santa Clara, de 11 de setembro de 2025

Ex.mos Senhores
Presidente da Assembleia Municipal
Vereadores da Câmara Municipal
Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar
Deputados Municipais, restantes autarcas, funcionários e público presente


Cumprimentando todos os presentes, começo por agradecer a realização desta reunião descentralizada, que permite uma análise das problemáticas existentes, da competência e responsabilidade da Câmara Municipal.

Sem renegar a minha sensibilidade política e opção partidária conhecidas, penso ser também da mais elementar justiça o reconhecimento da minha postura habitual de respeito pelo funcionamento das instituições democraticamente eleitas. Dei prova disso ao longo de uma vida e de todos estes anos de exercício de funções autárquicas.
Não será, portanto, forçado reconhecer que, nesta fase de final do presente mandato, bem gostaria de ter apenas coisas bonitas para dizer. Porque se isso fosse, quem estaria beneficiado, seria Santa Clara e a sua população!
Porém, lamentavelmente, assistindo-se a uma postura sistemática e contínua de vitimização, desresponsabilização e culpabilização dos antecessores, também não posso ficar indiferente, deixando de expressar o que sinto ter razão para dizer.

E assim, reportando-nos à herança que o sr. Presidente da Câmara atual recebeu do seu antecessor, eu perguntava-lhe:
• Quem lhe deixou, feitos, os projetos das poucas intervenções que o senhor aqui realizou, designadamente a Escola Eurico Gonçalves e Jardim de Infância da Ameixoeira, Estruturas do Bairro do Alto do Chapeleiro, troços da Via Estruturante e do Eixo Central? – Obras essas que o senhor inaugurou, com pompa e circunstância, como sempre faz, rodeado de dezenas de profissionais e da comunicação social?!…
• O que fez o senhor dos outros projetos que, também já concluídos, lhe foram legados, e que passo a citar:

• Requalificação da Ameixoeira Antiga (Estrada da Ameixoeira, Rua Direita, Largo do Terreiro e envolventes);
• Via Estruturante de Santa Clara (da Av. Glicínia Quartin à estação do Metropolitano);
• Palacete da Quinta de Santa Clara e respetivo jardim, adquiridos para entrega à Junta de Freguesia, para fins culturais?

E perguntava-lhe ainda que atenção lhe mereceram:
• A AUGI da Torrinha, sem um desfecho à vista;
• O Bairro da Quinta das Lavadeiras e dos seus problemas estruturantes;
• As ocupações ilegais de património municipal;
• As construções de sistemas abarracados em terrenos públicos;
• A Segurança tão deficitária em várias zonas da freguesia;
• A iluminação pública, sem a devida manutenção;
• Os buracos das ruas, permanecendo tempos infinitos sem reparação;
• A Recolha do lixo, inqualificável, para ser branda nas palavras?!…

Portanto, Sr. Presidente, para além do espetáculo das suas inaugurações, que mobilizam tantos recursos, que legado considera que deixa para o seu sucessor?
• Projetos já feitos? – Quais?
• Finanças equilibradas? – Parece que não!

E para Santa Clara?
Para além do atrás exposto, o que vai fazer com o Posto de Higiene Urbana da Charneca que, sendo de sua responsabilidade, a Junta se propôs fazer de novo, com todos os seus meios e a expensas próprias, acrescentando-lhe valências da competência do governo, como a formação profissional e outras, e o senhor apenas lhe dificultou qualquer iniciativa, obrigando-a a canalizar a verba para outras necessidades da freguesia?
Como vai resolver este problema, que a Junta, com a melhor das boas vontades, tanto se esforçou por o ajudar a resolver?

Lisboa, Assembleia Municipal Descentralizada, 11 de setembro de 2025,

                          Maria da Graça Pinto Ferreira
                            Presidente